O grave problema das pessoas em situação de rua em São Paulo. Como resolver?

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O problema das pessoas em situação de rua em São Paulo, tem feito muitos moradores e entidades e se mobilizarem para ajudar, porém a Prefeitura critica essas ações isoladas, ao mesmo tempo em que se mostra inapta para dar uma solução efetiva. O que fazer então?

O frio extremo que faz em São Paulo estes dias, que tem provocado mortes, aliado à polêmica decisão do prefeito Haddad pela retirada de colchões e papelões pela Guarda Civil Municipal (GCM), para evitar a “refavelização” de praças públicas, fez com que a população acordasse tardiamente para o grave e crescente problema das pessoas em situação de rua na nossa cidade.

Vamos aos números: Em 2011, existiam 14478 pessoas em situação de rua. Destas 7713 tinham algum tipo de acolhimento. Em 2015 o número aumentou para 15.905, sendo 8570 acolhidas. Então o número de pessoas totalmente abandonadas passou de 6765 em 2011 para 7335 em 2015. Lembre-se que estes são números oficiais, com metodologia auditada entre a Fipe e a Prefeitura de São Paulo, mas sabemos que a realidade é com certeza bem pior. E o mais claro é que todas as vagas disponíveis em casas de acolhida, mais conhecidas com albergues (cerca de 12000) não suprem a demanda total.

O mais alarmante é que de toda a população em situação de rua de São Paulo, mais de 50% fica na região central, o que torna essa questão ainda mais visível e difícil de resolver, dada a concentração em um perímetro já saturado. A inação do poder público faz com que várias entidades e mesmo pessoas físicas, busquem elas próprias ajudarem com alimentos, sopão, roupas, cobertores. Principalmente em época de frio. Eu mesmo já ajudei e participei de várias ações nesse sentido. Porém, a Prefeitura critica esse tipo de assistencialismo, dizendo que justamente isso faz com que essa população deixe de buscar os albergues, aonde – ao menos na teoria – eles seriam melhor acolhidos e alimentados e entrariam na rede de proteção pública.

Porém a realidade dos albergues, em boa parte ligados à entidades religiosas, com regras rígidas de horários e de comportamento, muitos com graves problemas estruturais e mesmo de higiene, acaba afastando essa população. E por outro lado, os problemas inerentes a esta população como drogas, álcool ou mesmo mentais, fazem com que as brigas sejam constantes e a convivência de difícil controle para aqueles que trabalham em albergues, o que demanda uma certa disciplina.

Quem lê este meu relato, parece que a situação não tem solução, principalmente para aqueles que fogem do senso comum (sejam higienistas ou libertários). Mas tem sim. A solução viável e imediata seria grande fórum entre entidades, poder público e sociedade civil, que passasse necessariamente por um redesenho de toda rede de assistência social da cidade. A questão chave é tornar mais inclusivo e humano o elo de entrada dessa rede – os albergues – para que possam ser mais atrativos à população em situação de rua da nossa cidade em sua busca por mais dignidade e consequentemente na busca por sua ressocialização.

Indico para leitura adicional:

– Por Que as Pessoas em Situação de Rua em SP Não Querem Ir para os Abrigos Mesmo Durante o Inverno?

http://www.vice.com/pt_br/read/por-que-as-pessoas-em-situacao-de-rua-em-sp-nao-querem-ir-para-os-abrigos

– Censo da População em Situação de Rua  em São Paulo: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/assistencia_social/observatorio_social/pesquisas/index.php?p=18626

Montagem reprodução Internet

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