Em defesa da Parada do Orgulho LGBT. Sim, ela ainda tem razão de ser!

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Excetuando a primeira (pois não estava no Brasil), fui em todas as Paradas do Orgulho LGBT de São Paulo. São 19 no meu currículo de militante. Em algumas edições participei mais ativamente, seja como DJ, ou mesmo atuando na produção do evento e em outras como mero e feliz participante. No domingo agora, 29 de maio, estarei como coordenador do Trio da Visibilidade Gay e Bissexual. Vendo a alegria, o orgulho de centenas de milhares de pessoas, ou mesmo a emoção do meu namorado que foi em sua primeira parada no ano passado, é inegável dizer que as paradas nem de longe esgotaram sua razão de ser e de se justificarem.

Ao críticos lembro que as grandes paradas em quase todo o mundo são eventos divertidos, coloridos, meio carnavalescos, em que os LGBTs protestam a sua maneira própria, com alegria, sem esquecer de reivindicar direitos, mas principalmente nos dando visibilidade. E por isso atraem tanta gente, ao passo que atos específicos menores tem um poder político definido, são mais militantes, mas admitamos, de impacto mais restrito. Por isso o nome é “Parada do Orgulho”. Temos orgulho de ser quem somos e protestamos a nossa maneira.

Pra quem lembra da repressão nas primeiras paradas em 97/98 que quase não saíram até chegar ao status que temos hoje de apoio público financeiro, tendo a própria polícia garantindo nosso direito de manifestação, foi uma grande evolução que não justifica tanta porrada que as paradas levam de parte do movimento LGBT. Políticos e governantes marcam presença, o que demostra o empoderamento que as paradas atingiram com o passar dos anos. Em que pese não ter tanto público quanto na década passada, mesmo assim a mensagem política é clara: ocupamos as ruas e não voltaremos mais para o armário. Quanto à guerra de números, não devemos aceitar números subestimados pela imprensa ou Polícia Militar, mas também não podemos comprar números que sempre foram inflados no chutômetro pelos organizadores.

Também ouço dizer que “só tem gente feia, por isso não vou mais”. Por “gente feia”, leia-se “pobre”. Esse odioso preconceito de classe social é tão violento e injustificável quanto a homofobia, a transfobia, o machismo, o racismo e o fundamentalismo. Enquanto algumas pessoas não entenderem que o conceito de diversidade não é só a diversidade que as interessam, mas sim toda transversalidade que só as diferenças podem agregar, continuaremos girando em círculos, cercados pela roda do conservadorismo.

É importante também que se frise que quando uma travesti ou transexual exibe com orgulho seus peitos numa Parada é um ato político de expor sua identidade de gênero. Considero tão emblemático quanto os atos de feministas queimando seus sutiãs na década de 60. Engraçado é que a justiça as considera “homens”, mas então homens não podem tirar a camisa e mostrar o peito desnudo? E se formos ampliar o debate, por que mulheres não podem também mostrar os peitos? Aonde está a igualdade?

Esse tipo de exposição mais sexual acontece nos carnavais com homens e mulheres e a sociedade não se escandaliza e nem rotula os heteros como frívolos, excêntricos e promíscuos. Qualquer evento público que mobilize tanta gente vai ter problemas de segurança, lixo ou atos libidinosos! Não, diferente do que a baixa auto-estima de muitos LGBTs possam gritar nessa hora, esses problemas não tem nenhuma ligação com sexualidade.

Muitos também reclamam da participação crescente de heterossexuais, mas como vamos exercitar o convívio e o respeito se nos fecharmos num gueto? Ver famílias curtindo, aplaudindo, trazendo crianças, exercitando o respeito à diversidade é a principal mostra de aceitação que a comunidade LGBT pode ter.

Esse ano, a Associação da Parada (APOGLBT) buscou uma maior transparência e fez uma construção coletiva do evento com a militância LGBT paulistana. O tema “Lei de Identidade de Gênero Já! – Todas As Pessoas Juntas Contra A Transfobia” é resultado direto deste diálogo. E ao buscar uma agência de marketing para captação de recursos e patrocínios para melhorar sua infraestrutura, pode ser um ótimo primeiro grande passo para que voltem os trios de casas noturnas e demais empresas GLS/LGBT, voltando a aumentar o público e repercussão.

Boa parada a tod@s!

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